Copa da Floresta Bemol: Nhamundá sediará a abertura da edição 2026

Copa da Floresta Bemol: Nhamundá sediará a abertura da edição 2026

24 de abril de 2026 Off Por Redação EM

A Ilha Bela da Amazônia vai receber o duelo entre a seleção da casa e Barreirinha, no dia 6 de maio

A Federação Amazonense de Futebol (FAF) anunciou, na quinta-feira (23), a cidade-sede da abertura da Copa da Floresta Bemol 2026. Nhamundá será o palco do início da competição, no dia 6 de maio, às 18h, quando a seleção local enfrenta Barreirinha, no estádio Municipal João Batista da Costa, o Batistão. Dividida em oito grupos definidos geograficamente, a edição deste ano tem final prevista para o dia 20 de junho.

Mais do que a definição de uma sede, a escolha de Nhamundá carrega um significado que dialoga diretamente com a proposta da competição. A Copa da Floresta Bemol se estrutura como um projeto de alcance territorial, pensado para integrar municípios, fortalecer identidades locais e ampliar o acesso ao futebol em regiões historicamente distantes dos grandes centros esportivos.

O presidente da Federação Amazonense de Futebol, Ednailson Rozenha, destacou a escolha do município como símbolo do propósito da competição.

“A Copa da Floresta nasce do sentimento mais genuíno do nosso povo. Levar a abertura para Nhamundá é reconhecer a força das nossas raízes, a história que vem das margens dos rios e a identidade que pulsa no Amazonas mais profundo e remoto. É o futebol chegando onde ele sempre existiu, mas nem sempre foi visto. É sobre pertencimento, sobre dar voz e vez a quem constrói diariamente a essência do nosso estado”, afirmou.

Inicialmente programada para iniciar no fim de abril, a competição passou por ajustes no calendário, com alterações nas datas de início e encerramento para melhor adequação ao cronograma esportivo da temporada, o que garante maior organização logística e participação das seleções envolvidas.

Nhamundá: entre história, lendas e identidade amazônica

Localizado a cerca de 375 quilômetros de Manaus, no Baixo Amazonas, Nhamundá é um município marcado por forte conexão entre história, cultura e natureza. Conhecida como “Ilha Bela da Amazônia” ou “Terra das Icamiabas”, a cidade carrega em sua identidade uma das narrativas mais emblemáticas da Amazônia: a lenda das guerreiras Icamiabas, associadas à origem do nome do próprio estado do Amazonas.

Além do imaginário histórico, o município também se destaca pela formação ligada a povos originários e pela preservação de tradições culturais que atravessam gerações. A relação com os rios e com a floresta molda o modo de vida da população e reforça o vínculo com o território.

Com 20.136 habitantes, as atividades econômicas são focadas na produção agrícola, farinha artesanal e pecuária. A agricultura de subsistência, como o cultivo da mandioca e a fabricação da farinha se destacam no municipio de Nhamundá.

O principal peixe do município é o Tucunaré, famoso pela pesca esportiva e o sabor marcante, e garante o sustento de muitas famílias na região. A festa da Pesca ao Tucunaré celebra a fartura do rio e atrai turistas para torneis de pesca, a movimenta a economia local por meio do comércio, hospedagem, culinária e turismo. Nhamundá detém o recorde amazonense e brasileiro do maior Tucunaré já pescado em território nacional, medindo 78 cm, encontrado no Rio Paratucu, um dos rios turísticos do local.

As tradições religiosas de Nhamundá são marcadas pelo fervor popular e pela valorização da cultura local, tendo como pontos altos as festividades em honra a Santo Antônio, co-padroeiro do município, em junho, e à padroeira Nossa Senhora da Assunção, em agosto. Os eventos unem fé e entretenimento em programações que reúnem milhares de devotos em celebrações, momentos culturais e shows regionais.

Situado na margem esquerda do Rio Amazonas, Nhamundá se destaca por ser o último município do Amazonas na divisa com o Pará, estabelecendo uma fronteira direta entre os dois estados.
O município de Nhamundá é próximo a cidades paraenses como Faro e Juruti, mantém uma forte conexão regional e cultural com o Pará.

Conhecida também como “Caribe Amazônico”, a cidade se destaca pelas praias de água doce e pelas paisagens naturais, o que amplia seu potencial turístico e cultural. Esses elementos dialogam diretamente com a proposta da Copa da Floresta Bemol de valorizar o interior em sua essência.

Pela primeira vez como sede de abertura, Nhamundá não apenas recebe o pontapé inicial da competição, mas se posiciona como cenário de tudo aquilo que a Copa da Floresta representa: história, identidade, resistência e pertencimento.

Com informações da Federação Amazonense de Futebol (FAF)